amadurecência
se amadurecer é estar em seu ápice, acho que estou começando a chegar ao meu. estou começando a me perceber madura, talvez doce, até mais tenra, ainda brilhante, no apogeu da minha espécie. cada vez mais movida aos sumos da natureza, os hormônios, as marés, os ânimos, a lua, os humores, as estações. estou podendo viver melhor este lado bruxa, que toda mulher tem escondido e que se manifesta tanto mais fortemente quanto mais crescem os cabelos brancos, as cãs, os fios rebeldes, ressecados e retorcidos que se destacam teimosamente nas nossas cabeças. um lado que ouve melhor o que os bichos e as plantas têm a dizer, e – proporcionalmente - pior o que as pessoas em geral têm a dizer. porque as pessoas têm uma mania feia: a mania de achar que têm algo a dizer quando muitas vezes o silêncio resolveria tudo de forma magistral. e faz-se um excesso de sons que mascaram as verdadeiras palavras. perceber isso é ganhar um tipo de consciência que assusta aqueles que têm medo de parar e de ouvir o que o próprio umbigo tem a dizer. por falar nisso, a verdade há de ser dita: os umbigos em geral e o meu em particular têm muito mais a dizer do que muita gente que vejo por aí matraqueia aos quatro ventos.

o vento. é impressionante como o vento – seu sopro, seu som e sua eletricidade – começa a ficar mais presente nas mentes das pessoas à medida em que elas vão amadurecendo. talvez por isso digam que agosto, o mês do vento forte, é também o mês dos loucos ficarem nervosos, dos cachorros uivarem ariscos e dos velhos morrerem logo. o vento sopra a despedida em nossos ouvidos, e a despedida às vezes sabe ser cruel. mas o vento também sopra o saber que a despedida é antes de mais nada um novo encontro que está por vir. um saber que só é dado aos espécimes maduros a capacidade de ouvir. a manga madura, por exemplo. é nesta fase que ela está em seu ápice de fruta, em gostosura e sabor (li algo assim em uma revista recentemente). dali pra diante qualquer fruta sabe que só o que vem é a decrepitude, a podridão, a transformação em semente (que é fruto da morte), e o destino de se tornar adubo. que é o nosso destino de recomeçar. se uma fruta sabe disso, porque as pessoas não saberiam? é por isso que deveríamos adorar os momentos do ápice. não, apesar de parecer a princípio, o ápice não é agudo; pelo contrário, é até confortável. de fato, tem o mesmo conforto dúbio que o privilégio. é preciso saber colocar-se nele. e é por isso que estou confiando-me mais e mais aos sabores das seivas, dos sumos, dos ventos e dos humores do corpo. estou permitindo em mim a doce e tenra chegada do amadurecer.
Escrito por clara às 14h14
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o sexo dos peixes
passei por aqui da mesma forma que coloco umas lasquinhas de comidinha de peixe no aquario do pedrinho. deus me livre chegar aqui de repetne e ver meu blog boiando de barriga pra cima,d e tão abandonado. estou prestes a largar a vida corrida de publicitária, prestes a abraçar as letras de forma definitiva e irrevogável - e então meu blog será alimentado diariamente, como minhas gatas gordas, e nao como meu peixinho magro e quase transparente. oh, céus. preciso comprar uma peixa pra dividir esse aquario com o pedrinho. ou será se ele é ela? como será que se descobre o sexo dos peixes??? e se for ele, será um peixe hétero? terei que pedir um peixe de sexo-surpresa na pet-shop, pra não ficar com dúvidas nem culpas, e deixar que pedrinho e la naturaleza se desenrolem pelo que seja melhor pra ambos. afe, como é dificil dar uma passadinha no proprio blog. vou nessa, antes de me aprofundar mais - e me afogar - na questão do sexo dos peixes... (fico devendo uma foto do pedrinho, minha hp caiu no chão, quicou 3 vezes e morreu.)
Escrito por cla às 08h09
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ABANDONADO
coitado do meu blog. esteve abandonado este tempo todo! Isso não se faz a um cachorro, muito menos a um blog. é que eu não tinha nada de interessante pra dizer mesmo, ou se tinha não estava interessada em platéia. ai, quanta mentira. foi falta de tempo. vixe, outra. bem, agora está dando pra entender porque este sitio anda assim, mato crescendo, gado solto, cerca quebrada. mas acalmem-se, fãs incondicionais. estou ensaiando uma volta - quase - triunfal.
Escrito por Clara às 07h48
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