eu passo.

Pouso o pé em frente ao passo.

Paro ao passo que sigo
batendo o coração aos pedaços.

Suspendo a respiração em compasso
de espera, de entrega, de cansaço.

Entorno um rio de lágrimas
interiores, anteriores, e me diluo
como há muito tempo não o faço.

Pouso o pé no interior desse círculo
vazio e cheio e vazio e cheio
da tua insubstituível presença.

E cada passo que acaso eu desse
seria um passo em falso
e todos eles iriam
buscar a sombra do teu abraço.

Pouso o pé em frente. E passo.



Categoria: versitos
Escrito por clara às 11h32
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divagandim

Sinto saudades do fogo
que às vezes me queimava.

Como fosse possível em Pompéia
sentirem falta da lava.



Categoria: versitos
Escrito por clara às 14h45
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um passim depois do outro. isso. calma, calma.
pular antes da hora faz a gente cair no buraco.
calminha aí, devagar com o andor que estamos sem pressa.
ói o povo vindo aí atrás. ô coisa apressada é gente com pressa.
 



Escrito por clara às 14h57
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fresta

quando uma pessoa

encontra outra

de forma que ambas

sintam-se apenas uma

faz-se uma certa febre

maior do que os graus

centígrados

e abre-se uma fresta
– que festa! –
entre a terra e o céu.



Categoria: versitos
Escrito por clara às 09h01
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pressa pra quê?

não estou vendo motivo nenhum pra pressa.

vou aqui, nesse tempo, ver onde o barco vai dar.

tentei capturar um ritmo, ele se escapuliu.

vou no meu tempo, no tempo do meu desejar.



Escrito por clara às 15h19
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pronto.

já nem sei mesmo o que eu ia fazer agora.

já tive uma centena de planos na minha cabeça,

mas eles todos evaporaram covardemente

segundos antes de eu estar com tempo livre

e – digamos assim – disposição para realizá-los.

só sei que comecei desesperadamente a querer

realizar todos na primeira oportunidade que se me surgiu.

a paz interior e mundial, a descoberta do eu,

a produção livre e desenfreada, a iluminação,

a organização plena e natural em meio ao caos.

todos os meus planos se acotovelaram na entrada,

disputaram espaço, às vezes até lutando pateticamente.

um e outro plano engalfinhados aqui e ali.

mas tudo acabou-se como tudo sempre se acaba:

tudo deu em muito pouca coisa. tudo deu em nada.

ou então se algo deu certo eu ainda não percebi,

o que seria muito irônico além de muito provável.

agora, cá estou eu mesma, ensimesmada,

entre hedonista agradecida e workaholic frustrada,

confessando que nem eu mesma sei mais

o que era mesmo que eu ia fazer agora.



Escrito por clara às 12h00
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Hora da louca entrar e colocar ordem na casa.

Acabo de acabar de ler 2 livros ao mesmo tempo, sendo que um deles é uma auto-ajuda sobre dominar o pensamento para encontrar seu próprio eu e parar de adiar a felicidade... e o outro fala sobre a narrativa, a loucura, a imaginação, as técnicas (ou falta de) dos escritores dos clássicos. O Poder do agora e a Louca da casa, esse último de Rosa Montero, madrileña cinqüentona com a qual me identifiquei e declaro aqui, em primeira mão, de quem me tornei fã.

 

Sim, e também sou fã de mim mesma. E também sou fã de meus pensamentos, porque sou fã da louca que mora em minha casa. E quando tentei me afastar e ouvir meus próprios pensamentos, treinando o poder do agora, me senti de repente mais ou menos como uma esquizofrênica, e foi uma experiência única, porque não dizer iluminadora. Estranha, isso por certo.

 

Daí que fico louca para exercitar essas duas coisas completamente antagônicas (se é que existe um semi-antagonismo). Por um lado fico louca para soltar os daimon e os brownies e me deixar levar pelas idéias da louca da casa. Alimentar as teias todas que se tecem tão rápido e se desvanecem. Por outro, fico tentando ver até onde vai a corda da minha imaginação, testando, por exemplo, ouvir só minha respiração. Espanando as teias que se tecem tão rápido e se desvanecem. Nossa senhora, isso é muito, muito difícil. Mas um dia eu chego lá.

 

É muito difícil, como é difícil dar por encerrado seja o que for. Assim como também é difícil recomeçar seja o que for. A nossa sorte é que o tempo é uma coisa que não existe, então todo começo também pode ser encarado como um fim, e vice-versa. Ou não.

 

Ultimamente tenho me visto como uma vítima, mesmo tendo absoluta certeza de que não sou. Alterno essa sensação com momentos de força e dominação que até dão certo medo. Não tenho certeza, mas pode até ser que isso já tenha passado da hora de mudar. Seja como for, não custa tentar organizar um pouco essa gandaia interior. Definitivamente, é hora da louca entrar e botar ordem na casa.



Escrito por clara às 10h09
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