adoraria
adoraria ter, em meu cardápio diário, arroz integral,
mas eu adoro um arroz bem solto e branquinho...
adoraria tomar no café da manhã granola, iogurte, frutas,
mas eu adoro café com leite e pão com manteiga...
adoraria usar todos os cremes que minha idade requer,
mas eu adoro dormir de cara lavada...
adoraria ler apenas livros clássicos de autores consagrados,
mas eu adoro ler também best(eiras)-sellers, auto ajuda...
adoraria assistir mais cult movies, clássicos, alternativos,
mas eu adoro ficar em casa vendo uma novelinha...
adoraria ser mais ecológica, mais sustentável, mais correta,
mas eu adoro embalagens, descartáveis, facilidades...
adoraria mexer na terra, plantar, passear na praia todo dia,
mas eu adoro a preguiça, as letrinhas e a internet...
adoraria fazer um pouco mais disso tudo – e pretendo fazer,
mas eu adoro esse meu jeito (estúpido!) de ser...
Escrito por clara às 18h05
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disse-me o tarot, há 6 meses
É muito importante, nestes meses, que você procure preencher a sua vida com coisas que dão prazer. Por mais que você cumpra com as obrigações e faça valer a sua extrema dedicação, nada vale muito se não houver prazer envolvido. Tente se divertir, mas acima de tudo aceite que você merece o divertimento. Cuidado, pois, com atitudes autopunitivas!
Escrito por clara às 13h23
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pessoa zen
“Para ser grande, sê inteiro
Nada teu exagera ou exclui
Sê tudo em cada coisa
Põe quanto és
No mínimo que fazes”
É Pessoa, e é totalmente zen. Adorei encontrar essa preciosidade no meio do meu caminho. A quem interessar possa, adoraria dividi-la.
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Terminei Emma. Estou agora na fase “entre-livros”, sabendo que o próximo será também Jane Austen, e será Razão e Sensibilidade. No momento, estou flutuando entre as duas: a razão e a sensibilidade. Mas estou zen-pessoa, e me divertindo inteira com o agora, com o mínimo de tudo e também com o fato de não ter a mínima noção de onde irei pousar.
Escrito por clara às 09h56
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a lya luft é chata
chata, chata, chata. tia véia chata. ai, que alívio poder dizer isso. mesmo porque quase ninguém lê meu blógui. mas é que eu já gostei tanto da lya luft, já respeitei tanto. e agora acho ela isso mesmo, uma tia véia chata, ranzinza, repetitiva. ela me enche o saco. de vez em quando eu tento dar mais uma chance, daí leio a coluna dela na (argh!) veja. mas póft! continua chata. cheia de fricotes. ranzinza. nãm.
Escrito por clara às 14h23
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Estou Jane Austen
Há muito tempo atrás li “Orgulho e Preconceito”, mas eu era tão novinha que não me trouxe muito interesse - a não ser pelo sr. Darci, mas isso foi mais pela natureza do nome próprio do que pelo próprio personagem ou pela história em si. Nunca batizaria de Darci o “mocinho” de história romântica. Sei lá. Parece nome de velho gordo e careca. Besteira. Mas voltando ao tema eu encontrei uma bela oferta na loja Siciliano e comprei “Emma” (justamente o que estou lendo no momento), “Razão e Sensibilidade” e “Orgulho e Preconceito”. Não dá vontade de escrever algo chamado “Pompa e Circunstância”?. A mim dá, se bem que eu não tenha nada relativo ao tema para rechear mais do que meia página. Bem, como eu ia dizendo, as edições são bem simples, fazem jus ao seu baixo preço, e até já encontrei uns errinhos no texto, coisa de revisão barata de editora que lança rápida e descuidadamente um nome conhecido pra fazer caixa. Fiquei grilada, achei que joguei dinheiro fora. Mas resolvi usufruir dessa leitura – ainda mais porque há um tempo atrás eu havia visto um adorável filme chamado “O Clube de Leitura de Jane Austen” ou algo assim, com seis pessoas lendo cada qual um de seis romances dessa autora, e mencionando detalhes e coisas curiosas sobre personagens e histórias, que me deu uma inveja, uma enorme vontade de ler o que eles estavam lendo, um desejo que só agora estou satisfazendo. Mas as capas dos livros são bem charmosas, apesar do papel de baixa gramatura e da impressão um tanto tosca. Caso alguém ainda não tenha notado, eu estou escrevendo esse post com um “quê” de Jane Austen. Esses detalhezinhos e seus floreios. Eu, sempre tão sintética estou me sentindo tentada a divagar nos adjetivos, nos “no entanto” e nos mil e um “poréns”.

De fato tenho me divertido com esses relatos esnobes, revestidos de adereços vitorianos e parnasianas lãs de carneiro, e sem dúvida cheio de fricotes... e tudo isso ao mesmo tempo tão leve, tão divertido, tão sofrido. Estou Jane Austen. Assim sendo, creio que hoje não conseguirei trabalhar de forma alguma. Aquele povo não trabalhava – uma vergonha, trabalhar é coisa para as famílias inferiores de pobres pessoas que não podem sequer ter a chance de construir qualquer cultura ou refinamento -, e o que dizer então sobre as mulheres! Que beleza! Outrossim, como não sei tocar piano nem pintar, e menos ainda tenho habilidade em requintados bordados com motivos florais, vou ficar hoje só na leitura. Vou me entregar às tramóias casamenteiras dessa dama de delicado esnobismo chamada Emma. Depois devo reler “Orgulho e Preconceito” e me entregar também de corpo e alma à “Razão e Sensibilidade”. Sim, vou me perder naqueles jardins, enormes propriedades, vicariatos e abadias, vou me encharcar de vontade de beber chá a todo instante... e não vou me surpreender se de repente ouvir um cavalgar de carruagem ali, um farfalhar de tafetá acolá.
Sobre a ilustração que enobrece meu texto, essa eu a "roubei" daqui.
Escrito por clara às 12h02
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Quem sabe?

Uma repórter da NY Times escreveu sobre estudos que revelaram surpreendentemente que em tempos de crise econômica existe menos mortalidade infantil. E ela mencionou pesquisas, indicando que nessas épocas difíceis os pais dão mais atenção aos filhos, pois não estão trabalhando tanto, não estão tão movidos pela “picada” da busca pelo dinheiro, e então têm tempo livre pra levar os filhos para fazer coisas básicas como... levar os filhos para tomar as vacinas gratuitas obrigatórias. Entre outras coisas.
Eu sempre acreditei que criança não morre só de desnutrição de comida, morre também de desnutrição de atenção. Sempre acreditei que amor alimenta. E amor muitas vezes é só uma questão de tempo. Claro que eu estou aqui simplificando as coisas ao máximo, ressaltando um ponto muito específico. Mas é bom pinçar determinados aspectos das coisas para fazer a gente pensar. A dificuldade de “parar um pouco” do ser humano ocidental moderno é tão grande que a gente muitas vezes nem percebe o mal que estamos fazendo. A nós mesmos, à nossa própria continuidade.
Por isso insisto. É bom e saudável parar um pouquinho. É bom e saudável olhar para o próprio umbigo, para debaixo da própria asa, para o próprio quintal. Estamos todos dando atenção demais à crise, e ela não é nenhuma criança. Aliás, ela é mais velha até do que o próprio dinheiro que a move. Quanto a nós, capitães e capitalistas incautos e nem tão selvagens, navegar é preciso, sim, claro; mas para haver beleza nesse navegar, é preciso que seja feito devagar. Assim, com atenção e carinho. Como uma criança o faria, se tivesse aprendido com os pais... Em diligente barquinho de papel.
(Esse da ilustração é obra minha. Obrigada.)
Escrito por clara às 09h59
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Nem sempre
o não fazer algo
é sinal de descaso.
Na maioria das vezes
é um certo medo
de conseguir.
...
Havia um caminho
a caminho
de minha casa;
ele exercitava não as pernas,
mas o direito de ir e vir.
Ele ia,
eu voltava.
...
E isso se sucedia
dia após dia.
Escrito por clara às 20h34
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Precisamos parar de adiar as coisas. Precisamos criar coragem de viver o agora. Parar de empurrar a felicidade com a barriga. Porque nós geralmente sabemos que ela, a felicidade, está ali, só espreitando. Eu sei. Nós sabemos. Sabemos, mas mesmo assim deixamos a coitada na porta, esperando pra entrar. Que bobos, nós somos. Que bobos.
Escrito por clara às 20h57
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nem tanto, nem tão pouco
Estou entre minhas duas gerações. De um lado minha filha, me exigindo tudo e me cobrando atenção a todo instante. De outro lado minha mãe, não me exigindo nada e ainda assim fazendo com que eu mesma me cobre atenção – a ela – a todo instante. A geração de cima não faz questão de nada, tudo está bem (mais ou menos, mais ou menos). Se pergunto se quer algo, ela diz: qualquer coisa tá bom! Se pergunto o que ela prefere, ela diz: qualquer um! Se pergunto se gosta disso ou daquilo, ela diz: não faz diferença! E isso tem me deixado um pouco murcha e irritada. Mas eu to tentando mostrar que existem as opções, e que existe a escolha, e que existe a preferência, e que existe o merecimento... espero convencê-la antes de que aconteça o contrário. O que – graças à geração de baixo – fica meio difícil. Para ela tudo tem que ser exatamente como ela quer. Se mostro que o almoço é determinado prato, ela pergunta: e porque não outro? Se pergunto o que ela prefere, ela tem em mente exatamente o que dizer, e está na ponta da língua e sai com uma fluência maravilhosa. E então ela me diz exatamente o que quer, e como quer. E eu então desmurcho. Eu inflo. Mas no exato momento TPM em que estou, sigo irritada. Falta-me a paciência para os extremos. Quero a doçura do meio. Quero o silêncio com suaves interrupções. Ou um barulho aceitável. Nada de gritaria de micareta, nem de templo zen. Quero um violão, um cachorro latindo, um barulho de carro. Quero que as pontas se unam, ao meu redor. Pois elas estão ao meu redor e não estão se encontrando. Estou aqui, perdida, entre minhas duas gerações. E juro que eu queria só um bucadinho de algumas coisas, da maioria delas. Mas só um bucadinho. Nem tanto, nem tão pouco.
Escrito por clara às 22h06
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