hedonista - adj (gr hedoné+ista) - Que diz respeito ao hedonismo. s m+f Pessoa partidária do hedonismo, doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral. no cirenaísmo, dedicação ao prazer dos sentidos, fundamento de todos os prazeres espirituais; no epicurismo, busca de prazeres moderados, únicos que não terminam por conduzir a sofrimentos indesejados; no utilitarismo, procura do prazer individual, que somente se plenifica por meio de sua extensão para o maior número possível de pessoas; modo de vida inspirado no ou evocativo do hedonismo; dedicação ao prazer como estilo de vida
hebefrênica - adj (hebe+freno+ico2) - Que pertence ou se refere à hebefrenia, forma de esquizofrenia que surge na puberdade, com incoerência na fala e nas atitudes, comportamento tolo ou inapropriado; esquizofrenia hebefrênica
mercenária - adj+sm (lat mercenariu) - Que, ou o que serve ou trabalha por um preço ou salário ajustado. Que, ou o que trabalha não por zelo, mas por interesse de fazer jus à paga; interesseiro. sm Soldado que, por dinheiro, serve a um governo estrangeiro.
coisas boas, coisas mais ou menos, coisas felizes ou quase, coisas que parecem flores ou cobras, coisas que me fazem pensar, coisas que faltam, coisas que sobram, coisas que mais brilham do que valem. sou como uma mistura incrível de coisas, uma espécie de 25 de março de sentimentos, um beco da poeira de sensações. frustrada, mas também um tanto quanto realizada, respeitada, reconhecida. a sensação de estar plenamente em falta de algo. insatisfeita com um certo atual estado de satisfação forçada. algo incerto. menos mãe do que deveria, menos livre do que deveria, menos incrível do que deveria, visto que não há mais a profissão que me fazia ausente, visto que o tempo agora resolveu ser meu amigo, visto que, quem sabe... visto que... não visto nada no momento. visto apenas esse sentimento de vazio quase preenchido, esse quase, esse quase.
esse quase algo. queria saber lidar com o tempo e seu estado de ser e de estar, seu peso sem pesar, seu pensar coisas. coisas que não importam, coisas que a bebida traz, coisas que a fumaça esconde, coisas que devo ter levado, coisas que trouxe não sei de onde, coisas que peguei emprestado. uma miscelânea acimentada de coisas, uma espécie de capital federal de construções egoístas e impessoais, uma manta asfáltica, um paredão impróprio, uma grande planície inadequada para o plantio, uma enchente que não chega a ter proporções catastróficas. e eu sou isso tudo, uma série de coisas que não sei pra que servem, e eu, um baú de guardados expostos, e eu, uma ré entregue aos algozes, gozando com eles, de gole em gole, de galho em galho, de vento em popa. sou e levo e trago coisas assim, algumas que não prestam para nada, outras boas, coisas mais ou menos, coisas tristes ou quase, coisas demais.
sempre gostei de estacionamentos. amplas garagens subterrâneas, de preferência vazias, tarde da noite. podem ser novas, mas se forem velhas e meio decadentes, tanto melhor. sempre gostei. seria até bom se eu fosse uma espécie de roqueira, pois então eu faria meus shows e videoclipes ali. eu faria sucesso no subsolo. seria até bom se eu curtisse moda, pois então eu faria meus desfiles ali. eu faria sucesso no mundo fashion, mesmo que ficasse abaixo da linha do térreo.
eu gosto do som, do cheiro, do vazio, do eco, das vagas que serão ou não preenchidas, dos pilares pintados em listras ou não, do silêncio que será quebrado por derrapadas, freadas, manobras bruscas ou não. (um grande delírio se apossou de mim quando conheci um enorme estacionamento sob barcelona: oh!) sempre gostei, muito mesmo, e por mais estranho que pareça, deste tipo de espaço que de forma alguma - jamais - me pertenceria. sempre tive uma espécie de fantasia sobre estacionamentos. eles me atraem, me fazem pensar coisas, mas também me metem medo. talvez por isso.