Pequenas Histórias Com Final Feliz - I

Naquela noite ela resolveu matar a fome de ser desejada, estava sozinha há muito tempo, sentia calafrios e sonhava acordada, queria ajudar o destino a lhe ajudar.

Na última parada antes de ir para casa, no final da noite, conheceu um garçom de uma choperia na calçada e conversaram muito, as mesas quase vazias, a maioria das pessoas estavam indo para suas casas.

Então ela se encantou com os olhos do garçom, e com o resto do rapaz, que era alto e tinha um bom corpo e gestos gentis, e tinha os cabelos claros, e tinha um par de olhos intrigante: um deles era triste, o outro feliz.

E ela aquela noite levou o moço para a sua própria casa, para os seus aposentos de mulher sozinha e um pouco desesperançosa, o seu pequeno apartamento em uma rua próxima a uma avenida barulhenta perto dali.

Os beijos começaram a ser trocados no caminhar noturno, ela um pouco cambaleante, ele amparador, o friozinho da noite sugerindo abraços, o calor do hálito convidando sempre, os suspiros de timidez e desejo desenhando o ar.

Ela mostrou-lhe o caminho da portaria do edifício, deram um boa noite inaudível ao porteiro que dormia, pegaram o elevador e se olharam fundo. O olhar dela passeou intrigado entre os olhos daquele olhar intrigante, olhava um pouco para o olho triste, um pouco para o feliz. Não saberia dizer naquele instante qual desses dois olhos a intrigava mais.

Chegaram ao sexto andar. Ela saiu na frente, ele atrás. Ela abriu a porta com uma certa dificuldade, a chave lhe tremia nas mãos e o excesso de chopp e cigarro passavam o seu previsível recado.

Seguiram direto para o quarto e despiram-se lentamente, um ao outro. Deitaram-se juntos e depois de se beijarem e se acariciarem um pouco, no exato instante em que ela finalmente fechava seus olhos e decidia se entregar, ele começou a lhe contar um pouco de sua vida.

O rapaz era viúvo, viúvo recente. Tinha uma filha de 2 anos e morava com a mãe. Estudava de dia e trabalhava de noite, viva sob a pressão da sogra que queria lhe tomar a filha. O rapaz sentou-se na beira da cama e começou a contar, com voz embargada, a falta que sentia da vida que tivera antes, com sua companheira. O rapaz falava com lágrimas nos olhos e ela simplesmente não acreditava no que estava ouvindo.

Não, não que ela não acreditasse nas palavras daquele rapaz. O garçom da chopperia. Não era isso. Ela não acreditava que, quando finalmente havia criado coragem para arrastar um homem para casa, havia finalmente decidido sair da seca e ter uma transa, um affair, um namoro?

Justamente o cara que ela havia escolhido, que era jovem, estava disponível e lhe deu mole, justamente este filho da puta tinha que ser um viúvo recente com saudades da falecida? Puta que o pariu, pensou ela, enquanto olhava o jovem enxugar as lágrimas, e pedir desculpas, e levantar seu lindo corpo e ir buscar na cozinha um copo de água.

Naquela noite ela viu o garçom da chopperia, com quem havia flertado, sentar-se nu em sua cozinha e tentar refazer-se emocionalmente junto a um copo de água fresca, tirada do seu próprio filtro de cerâmica.

Então ela percebeu que o seu desejo estava focado no olho feliz, mas que, no entanto, o olho que a enxergou primeiro foi o olho triste. Intrigante, aquele olhar, intrigante.

E ela aquela noite resolveu levar o moço a um terreno de esquecimento e prazeres, abriu uma garrafa de vinho e sentou-se diante dele, também nua, na cozinha. Serviu duas taças daquele tinto que havia reservado sabe-se lá para que e começou a beber quieta, olhando-o, enquanto ele trocava o copo de água, já vazio e esquecido em suas mãos, pela taça de vinho, convidativa, servida em sua frente.

Eles beberam quietos por um tempo e agora não se lembram direito quem começou a conversa. Que seguiu solta, passando sem dor pelas passagens da vida, apenas por aquelas que resolveram partilhar, boas ou más, mas sem rancores, só pelo prazer de dividir. No vinho, a verdade: o olho que começou a enxergá-la, agora, era o olho feliz. O olho triste embriagava-se, o olho feliz também. O triste ficou quietinho, o feliz pôs-se a brilhar.

Naquela noite o sexo rolou e foi tudo muito ótimo, como há muito tempo ela não havia vivido. Coincidentemente, naquela mesma noite e naquele mesmo lugar um novo amor havia acabado de nascer. Mas isso agora já seria uma outra história.



Escrito por clara às 13h17
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PRemiSSas PRóprias e peSSoais

 

 

1)      Respeito sempre os ciclistas no trânsito, sempre. Mesmo o mais imbecil dos ciclistas merece o meu mais profundo respeito. Eles estão bem ou mal fazendo bem a si mesmos e ao planeta onde moro.

 

2)      Escolho as melhores uvas do cacho, os pinhões mais firmes da tigela e as batatas-fritas mais espledorosas do prato para serem os últimos a serem comidos. Caso a última parcela de uma coisa gostosa não seja representativa da sua dita gostosura, calha começar tudo de novo e cuidar melhor do final.

 

3)      Admito erros, até os mais crassos, desde que o autor dos mesmos também o faça.

 

4)      Evito comer os carocinhos de milho de pipoca que não papocaram. Já o fiz muito, mas nunca mais o farei. Prefiro aplicar o princípio da premissa 2 e separar umas 3 belas pipocas, das mais gorduchas e salgadinhas, para encerrar com louvor o comer pipoquístico.

 

5)      Duvido que exista prazer completo em beber uma cerveja gelada sem que haja um cigarro anexado.

 

6)      Sustento que a melhor forma de dormir é seguinte: deitada de lado, tendo dois travesseiros sob a cabeça e um entre os joelhos. E cobrindo com lençol apenas parte do corpo, a saber, a bunda.

 

7)      Divido as alegrias, mas não consigo fazer o mesmo com as tristezas.

 

8)      Adoro vadiar pela Internet, mantendo abertas ao mesmo tempo as janelas do Orkut, Facebook e Twitter, o MSN e o Google Talk, além do navegador e do administrador de e-mails. Jamais desligo o computador sem verificar, mais uma vez, se chegou e-mail em alguma de minhas 3 ou 4 contas.

 

9)      Declaro muito mais produtivas as conversas por escrito e virtuais aos bate-papos pelo telefone, onde me faltam as palavras e eu geralmente fico abestalhada naquela do “ah, é, é...”

 

10) Aprovo a ideia estapafúrdia de seguir as premissas próprias e pessoais de outras pessoas, desde que elas (as premissas) valham a pena e que elas (as outras pessoas) também as sigam.



Escrito por clara às 19h11
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ah, sim...

prometo próximos posts mais alto-astral, ok?
já estou sem leitores, e ainda por cima espantando
os poucos sobreviventes: I, me and myself!
nã!
pode apostar que os ventos vão mudar, meu povo.
muita hora nessa calma.



Escrito por clara às 08h28
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ai, ai, ai.

ai, ai, ai. esse pedacinho do cyber espaço está novamente abandonado. ô, dó. eu vou deixando, deixando, esquecendo. vai crescendo uma teiazinha de cyber aranha aqui, outra acolá. acho que vou agora começar um típico post de xurumela. ninguém merece, mas em compensação quase ninguém aparece aqui, então, phoda-se.

ai, mas eu andei tão esquisita estes tempos, minha gente!

 

tá, tá, eu sei, eu sou esquisita, ok. digo logo e rio antes que vocês o façam. bullyng. é assim que se escreve? preguiça de pesquisar no google. vai assim mesmo.

pois é. andei esquisita que só. de uma hora pra outra me apareceram vários trabalhos ao mesmo tempo, sendo que um deles – justamente o mais bem pago! – está me dando um trabalho da porra. preciso desempacar dessas escritas logo, hoje, agora. são textos que me ligam ao ontem, letrinhas de antanho, um papo que talvez já tenha cansado de repetir. mas que quero, quero e quero fazer, pois me unem aos amigos queridos – e desses eu não quero me despregar.

quando a gente “sai” do mercado a gente é logo esquecida. um amigo esquecido me disse isso, e acho que é verdade. eu tenho a sorte de ser lembrada a todo instante pelos meus ex-colegas, principalmente quando pintam estes trabalhos que eu fazia tão bem, e que para os novos redatores se fazem um desafio. e pensar que está sendo um desafio pra mim também. mas eu vou tirar de letra. várias delas. e vai ser hoje. de tarde, depois da reunião com meu outro cliente.

nunca uma desocupada esteve com uma agenda tão cheia. reuniões para participar, textos para fazer, coisas para organizar, trecos para comprar, e exames, exames, exames, exames. de uma vez só vários médicos resolveram me pedir exames. estou fazendo um check-up e nem tinha pensado em fazer isto. já fiz endoscopia e deu uns negócios esquisitos, levei uns vidrinho com uns negocinhos nojentos boiando pra um laboratório de biopsia. não há de ser nada. estou com uma tal de gastrite faz um tempinho, mas não pretendo nem parar de tomar cerveja muito menos de beber café. as incomodadas que se mudem. estou com o pescoço troncho, comecei a fazer rpg e, conforme anunciado pela fisioterapeuta, as dores estranhas começaram a aparecer. uma fisgadinha aqui, uma pontada acolá. o joelho está mais ou menos, andou doendo muito, mas vou fazer uma tal de ressonância magnética – papo chato de ter que acordar cedo, esperar e daí conseguir ficar deitada meia hora dentro de um tubo barulhento. nada muito auspicioso, não coloquei energia ainda nesse sentido.

no mais, tem uma batelada de exame de sangue, acho que vou encher dois baldes com meu precioso líquido vital pra eles espiarem pelas lentes de seus microscópios poderosos... a minha imunidade anda de novo em baixa e... chega! prometo que meu próximo post será absolutamente saudável.

falarei de belas caminhadas, banhos de mar e do meu re-retorno ao pilates. falarei dos procedimentos estéticos que farei, massagens, drenagem linfática, passeios matinais ao sol, almoços frugais, essas viadagens todas.

evitarei falar das minhas farras das quartas-feiras, quando bebo a tal cervejola mofada até tipo 2 ou 3 da manhã, converso besteiras com sabe deus quem, chego em casa sabe deus como e apago, acordando apenas pra sentir a navalhada da dor de cabeça, entregar a alma a deus, vomitar uma espuma meio amarelada, clamar por misericórdia divina e afundar a cabeça no travesseiro. evitarei esse assunto. isso é papo pra um outro post. e amanhã é quarta-feira. ai, ai, ai.

 



Escrito por clara às 08h22
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