Crise de minha idade

Nada contra a idade atual, meus 47 anos, sério. Na verdade eu nem coloquei ali, no título, escrito “crise da meia idade” porque não é mesmo o caso. O caso é a minha idade. Ela parece que nunca combinou muito comigo, não sei qualé a dela. E isso rolou desde sempre, desde os meus teenages eu já lembro. Dos desconfortos da idade mal encaixada. Por exemplo, eu “fiquei mocinha” moooito depois das amigas todas, e por isso eu era uma “otária”, deixada de fora de papos, digamos, mais absorventes... E depois disso reinei muito tempo ainda como a “virgem”. Minhas colegas falavam em código na minha frente. Eu merecia: elas davam, e eu não dava a mínima. (A velhinha está se repetindo. Já falei sobre esse lereado todo de conexão e desconexão com a idade neste post anterior, e neste também. Mas tudo bem, o blógue é meu, porra.) Hoje em dia tenho uma tchurmeeenha muito doida com quem saio para encher a cara e dar risadas. Eles-elas têm em média 15 anos a menos do que eu e é claro que no meio deles eu me sinto, na maioria das vezes, uma estrangeira. Fico rindo para dentro quando eles dizem que estão ficando velhos, em suas crises de quem acabou de fazer 30. Acho engraçado. E fico, muitas vezes, meio embaraçada com as incríveis imaturidades deles, principalmente as que eu me ponho a imitar. Bebedeiras sem proporções, pegações amalucadas, estiramentos de liga. Coisa de quem não tem juizo mesmo. Ah, mas eu me divirto mesmo é com eles-elas, muito mais com eles-elas do que com o povo da minha faixa... E compartilho muitas coisas com eles-elas, pois tenho uma filha na mesma faixa de idade dos filhos-filhas deles-delas. Com o povo da minha idade, esse povo que beira os 50, eu me sinto, na maioria das vezes, uma estrangeira. De novo. Bingo. Acho eles-elas um povo cansado, meio careta, numa caretice assim, mais por preguiça do que por convicção. Um povo que "tem a perder", de fala estudada e com muito mais conteúdo do que eu posso dar conta. Um pessoal que tem medo de pagar mico. Fico ali, nas beiradas, olhando eles-elas conversarem entre si, falarem de seus trabalhos, de seus filhos crescidos, de política, de conjunturas socioeconômicas, de doenças em geral, de seus pais que estão partindo. Não sei onde me encaixar. Ser estrangeiro tanto tempo cansa. Às vezes me convidam para a turma dos 30 e eu não crio coragem; às vezes quem acena é a turma dos 50 e eu fico pensando: será? Agora a minha pergunta é outra: cadê um povo bacana de quase 40? Quem sabe aí nessa faixa eu não poderia amarrar meu cavalinho, me encaixar, e conversar besteiras com menos teor alcoólico, ou falar coisas sérias sem tanto compromisso? Acho que estou já fazendo isso: está clara a besteira e a falta de compromisso. Ok, ok. Claro que aqui eu estou generalizando e deixando tudo muito mais cruel do que realmente é. Mas esse é o papel das crises. Pelo menos as de minha idade.  

 



Escrito por clara às 23h12
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